terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Relato de parto - Editado e finalizado

Olá, pessoal! Esse tópico vai dar conta de narrar o meu parto. Vou demorar um pouco até a conclusão, porque além de detalhes, eu irei demorar porque sinto muitas dores de cabeça e escrever é muito penoso para mim... então, peço paciência até que tudo esteja devidamente postado aqui...

Desde a sexta-feira dia 03 eu sabia que a data limite para conhecer o Miguel seria dia 10, a sexta seguinte. Ele realmente não quis saber de vir ao mundo antes disso. E assim foi.
Dia 9, eu até postei aqui no blog uma carta de boas vindas. Estava emocionada, com saudade da barriga e muito ansiosa!
Não dormi a noite toda aguardando o sol que anunciaria o grande dia. Me levantei da cama, tomei aquele banho de tirar urucubaca, juntei as malas no carro. Eu e papai Flávio disputando quem estava mais ansioso. Dentro do carro, ameacei um desmaiozinho. Já passava mal só em pensar no que viria depois.
Esperamos o momento da consulta com a GO. Eu dilatei muito pouco, estava entre 2,5 e 3 cm de dilatação. Então a médica me deu ordem de internação e solicitou à obstetra plantonista que também estudasse as possibilidades de parto para mim. 
Fui internada ao meio dia. A médica plantonista Drª Melissa (um amor de pessoa, gravidinha de 34 semanas) resolveu que eu seria submetida a um PC (parto cesáreo) devido à minha altura uterina - 41 cm. O grande evento foi marcado para as 14:30.
Fui para meu quarto - o 326 B (bem em frente ao que fiquei ha alguns meses atrás, quando dei bafão na maternidade) e me instalei. Mandei o Flávio para casa, almoçar, postar as novidades por aqui e ajeitei tudo no armário. 
Uma enfermeira chegou já me chamando para o preparo. Me deu um gelo na espinha e bateu o desespero! Eu estava sozinha lá! Por Deus! Dei uma enrolada nela, disse que tomariaum banho e então, com ajuda da cunhada Gorete, chamamos o papai de volta. Enquanto isso, fui para o chuveiro e embaixo da água, invoquei proteção de tudo quanto era santo parteiro que eu conhecia. Botei meu vestido, pantufa (nhoinnn) e com a enfermeira, fui para o CC. Que medo. Entrei numa saleta preparatória, onde me entregaram a temida camisola com a busanfa pra fora, acabei metendo um nó cego na amarração.
Removeram meus brincos, me botaram touca e pantufas. Na punção da veia, eu quase desmaiei, pra variar...
Fui andando pra sala de parto. A mesa onde me botaram era muito estreita, tive medo de cair de lá e rolar pelos aparelhos. Monitor de pressão, batimentos cardíacos e oxigenação, tudo ali sendo colocado em mim. Para disfarçar todo o pavor, comecei a brincar e falar muito, folguei em todas as enfermeiras... Não me lembro bem, acho que foi por conta do soro que não gotejava, fiquei muito nervosa, senti que estava mais uma vez desfalecendo. Só me lembro de dizer com uma voz empastada: "Vou desmaiar..." Eu estava sentada, mas quando acordei estava deitada e todo mundo ali me rodeando. Foi a vez das enfermeiras ficarem me zoando, foram muito gente boa comigo... 
Nada do papai chegar... medooo...


Chegou o anestesista. Véio caquético. Fiadapiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Eu lá naquela posição de desânimo, enquanto ele passava algo muito gelado em minha coluna. Punf. Uma picada com tranco. Que dooooor! E ele reclama que não deu. Punffff! Outra picada! Ele esconjura!
Punf! Não deu! Punf! Pede outra agulha, disse que não acha o local. Punf, Punf, eu quase mando o lazarento tomar no olho do brioco dele... mas sem forças, choro e gemo... punf! O maldito comemora na sétima picada que achou o caminho da roça! Aquilo repuxava por dentro, uma dor inexplicável. Pronto, agora deita rapidão, disseram.
Logo minhas pernas pesaram toneladas e eu não sentia mais nada. Fizeram os testes. Colocaram os campos, a sonda, me limparam, e eu ali sozinha. E cadê o Flávio??? Aiiinnnnn! 
Senti que mexiam e remexiam na minha barriga. Meus olhos procuraram apoio e nisso, encontraram com outros dois olhos assustados escondidos atrás de uma touca amarela e uma máscara. Era ele. Quase caindo duro, porque quando adentrou a sala, eu já estava ali toda aberta...
Ele passou a mão no meu rosto e eu desmontei. Já chorava. Foi aí que anunciaram, Miguel chegava deste lado do mundo. Mas nada de chorar! Silêncio... Ai, o que é isso? 
Então Flávio soluça, e olho pro lado... meu menino! Gente, ele estava ali, fazendo bolinha com o líquido aminiótico. Era meu filho! MEU FILHOOOOOO! 
Papai e mamãe chorando. Logo levaram Miguel para limpar e examinar. Meu menino veio dormindo, pura preguiça. Mas teve notas de APGAR 9, 10 e 10. Muito forte! Lindo mesmo!


Papai saiu da sala em seguida e ficaram ali me costurando. Me lembro que estava muito atordoada. Achava que o zunido do bisturi elétrico era do monitor cardíaco e que eu estava morrendo...piiiiiiiiiiiiiiiiiii! Só podia ser isso, estava mortinha da silva e no paraíso.
Ainda mais quando após costurada, a leitoa aqui foi preparada para passar para a maca. Só vi uma perna lá em cima. Ops, reconheci meu pé com francesinha nas unhas. 
Antes, levei uma apertada na barriga (acho que pra acomodar as tripas). Nesse momento, escutei um Vruuuummmm... e a obstetra disse: "Ops!" 
Cara, tu nem imagina, era um punzão. Punzão não, era um peidão memo, eu fiquei muito envergonhada, a médica riu e disse que o apertão dava nisso mesmo, super normal.
Que sensação medonha! Você fica muito frágil, podem te revirar do avesso e não há nada que você possa fazer para se defender... nada!


Fui rolada para a maca e só pedia: "cubram minha pitchaca"! Cubram minha pitchaca! Não quero passar no corredor com a pitchaca de fora"! Hahahahahah, as enfermeiras riam da minha preocupação. Eu só pensava na pitchaca! E então pela primeira vez, deram um embrulho todo durinho para eu carregar. Eli, deitada, toda formigando, saí desfilando de maca e filho pelo corredor da maternidade. Até então, tudo ainda era novidade...
Fui para o quarto.

...continua depois... 

EDIÇÃO 01 - 
Não demorou muito, recebemos as primeiras visitas: vó Lourdes, vó Maria, tia Gorete, tia Silvana. Eu me sentia até que bem, falava um tanto enrolado, meu corpo formigava, o nariz coçava. E parecia que tinha anestesia no cérebro, tava no maior barato, Ypiroca nenhuma faria igual. Eu tava me sentindo a fodona, a Highlander. Afinal, logo eu, a mais medrosa das criaturas, havia passado por um parto! Então olhava para o lado e via aquele cotoquinho de gente. O Miguel saiu para o banho, voltou todo lindo em um conjunto listrado verde, mas eu mal conseguia ver seu rosto. Tudo o que via era através de fotos. 


Todo mundo pegava ele no colo e eu morria de ciúmes, orgulho, alegria, tudo junto e misturado. Uma coisa era certa: a gente havia mesmo caprichado na produção. Mais tarde eu iria constatar, era o maior bebê da ala! Eu pirei. Tanto que as horas foram passando e eu simplesmente não dormi a noite todinha. 
Às 3 da madrugada, vieram as enfermeiras para me tirar da cama. Era o momento do banho. E eu achando que seria fácil. Meu Deus! Que dor horrível! Tentei levantar, ali, quase pelada e naquela situação sangrenta (nem vou detalhar, todas aqui sabem ou saberão o que eu digo), mas eu não consegui. Minha condição de fodona acabou ali, junto com minha dignidade. Eu não podia andar. Providenciaram uma cadeira de banho. Mas minha bunda de jamanta simplesmente não encaixou ali. E eu urrava. Voltei para a beirada da cama, sendo abanada e falando com voz de bêbada  - vou desmaiar. Afinal, frase essa que se tornou comum para mim naqueles instantes. Só sabia dizer isso e mais nada.
Em seguida, apareceram com uma outra cadeira de banho, melhor, um SOFÁ de banho, imenso, acho que era justamente para pessoas ancudas feito eu. Encaixei e fui para o banheiro, levada ali. Me deram um banho de chuveirinho. Eu me sentia um fusquinha no lava-car. Pshhhhhh, lava por baixo, por cima, pshhhhhhh, sabão, pshhhhh... que situação, gente! E logo eu que não queria exibir a tal pitchaca, essa até o papa deve ter visto! 
Voltei para o quarto toda lavada, menos a alma. Meu cabelo parecia uma carapinha, cheio de nó. O Urso do Cabelo Duro estaria mais sensual que eu. E a dor, ai, essa foi de lascar o cano! Muita gente narrou que o parto foi tranquilo (realmente, o meu também foi), mas quando a anestesia passou, o meu corpo arregou!
Fui fechar os olhos às 6:30 da matina, no sábado, e às 7, apenas meia hora depois, eu estava novamente na ativa. Então a coisa continuou. A enfermeira passou para pagar o Miguel pro banho, e a moleza aqui não conseguiu levantar. Estava sozinha, comecei a chorar feito criança. Me sentindo a pior das criaturas, a pior das mães, vendo meu filho sendo levado dali sozinho. Logo o Flávio chegou, me ajudou a ir ao banheiro. Fiz xixi em pé, não conseguia me curvar para sentar feito gente normal.
O tempo passando, vários sorinhos sendo colocados na veia puncionada antes do parto. O sangue retornava pelas cânulas, minha mão havia inchado muito e eu protestava a cada troca de medicamento. Minha barriga estava tão grande quanto antes do parto. E tudo porque eu não havia calado a boca um momento sequer. Aerofagia. Vulgo - falou, comeu ar e encheu a pança de pum. Me sentia um balão prestes a explodir. A coisa piorou com medicamento para gases e laxantes. Mas a situação era pior! Eu precisava soltar tudo aquilo, porém em quarto coletivo na frente de marido alheio... ah, aí é pedir muito! Eu, a mais lady das mulheres, peidando na frente de estranhos? Minha mãe mais tarde veio falando: "os incomodados que se retirem". Mas não é assim, não mesmo. Não rola. E eu não conseguia andar, as coisas foram piorando. Tanto que em determinado momento, eu não conseguia mais ficar deitada, apenas recostada naquela cama quente, com colchão forrado de plástico. Deitada eu não conseguia respirar e não tinha como permanecer, eu sufocava e entrava em pânico.
Não foi nada fácil. 
Meu soro foi removido, mesmo porque o inchaço da minha mão já não permitia que o medicamento entrasse em minha veia. A pior coisa, além de tudo, foi ouvir uma série de faz isso e faz aquilo. Todo mundo querendo opinar. Minha mãe mesmo, acho que me olhava e via um galão de leite. Só sabia mandar eu botar o menino pra mamar. Saco! A mãe sou eu. E claro, o Miguel também ficava bravo e não pegava o seio. Tudo ficou bem quando a platéia foi embora. Finalmente, mãe e filho conseguiram se entender e eu pude alimentar decentemente meu bebê. Acho que as visitas deveriam ser sumariamente proibidas. Acabam com a interação mãe-filho, é impressionante! Irritam a mãe, afloram toda a insegurança, tira a privacidade. É um caos!
É noite de sábado. Hora do banho. O santo Flávio das mães paridas estava lá para ajudar. Eu já estava fraca por causa do efeito do laxante (se é que me entendem). E o Flávio caiu na bobagem de comentar sobre o meu corte na barriga. Senti faltar o chão. Meus joelhos perderam a firmeza e me pendurei nele, não enxergava nada e ouvia um zunido. E pela quadragésima vez, eu ia desmaiar. Aquilo havia virado novela. Banho tomado com muito custo, pedi pra ele ficar no quarto comigo, burlando a segurança, se escondendo atrás do armário - não era permitida a estadia de acompanhantes homens no quarto. A colega do leito ao lado estava sendo operada e eu aproveitei a brecha. O papai ficou ali até uma da matina, mas chovia muito naquela noite. Flávio precisava voltar pra casa. Temos um ralo entupido no quintal, aquela altura a água deveria estar entrando na cozinha. E o coitado se foi para a nova jornada. Fiquei sozinha e sentada, adormeci. 
Quando pensei que tinha vencido as dificuldades e dormido a noite inteira, despertei com um chorinho - nesse ponto o Miguel resolve mostrar que tem pulmões de tenor. Às 2:49 do domingo, ele iniciou um berreiro que não cessaria por nada nas próximas horas. Sozinha no quarto, sem ter como alcançar a campainha que me salvaria, juntei todas as minhas forças para me levantar. Aquela dor que me rasgava n'alma, o meu filho precisando de mim. Tive que escolher, ou eu ou ele. Reuni cada energia do meu corpo e num impulso, pulei daquela cama. A adrenalina do momento me fez esquecer tudo e em segundos estava com meu filho no colo, amamentando. Melhor, colostrando. Ainda não tinha o leite propriamente dito. Mas ele não parava o choro. Troquei a fralda, nada. Procurei enfermeiras, mas elas diziam que Miguel tinha era fome. Eu protestava, mas nada se resolvia. Ele ganhou massagem, banho, mais  tetê. Nada. Ele chorava, chorava. Eu pedi a Deus que aquilo acabasse logo e ele adormecesse, mas nada feito. Às 6 horas, Flávio chegou e eu fiquei mais calma. Pude tomar um banho, porque durante o tempo em que fiquei com Mimi, eu não pude mais me sentar e todo o lóquio começou a descer pelas pernas. Lembro-me de ter colocado o bebê no moisés e corrido para o banheiro com uma calcinha limpa e absorvente novo nas mãos. A usada foi direto pro lixo. 
Não demorou muito, o pediatra passou por lá, examinando minuciosamente cada milímetro do Miguel. Levou várias cagadas de protesto. Então diagnosticou: seu filho tem nada com nada. Está apenas se ligando na idéia de que nasceu! E me entregou uma receita médica, deu dicas e orientou sobre procedimentos. Miguel estava de alta. Restava eu receber a minha para sair de lá. Coloquei uma roupa de gente (estava andando de camisola, dura feito um zumbi do clipe Triller há dias), passei um lápis no olho, pó nas olheiras e esperei. 
Lá pelas nove, o obstetra plantonista passou por mim e nem me cumprimentou. Foi embora. Pronto - pensei. - Não vou poder ir embora hoje! Mas o que eu não sabia é que eu sou vip, benhê, e como sou uma paciente GESTAR, sou atendida por médicos de lá. Então apareceu a Doutora Mirce, que me acompanhou todo esse tempo (apenas não fez o parto) e me examinou. Recebi alta. 
Malas prontas, momento de despedida. A moça que estava no leito ao lado foi colocada no banho - ela se saiu muito bem! Apenas eu, a molóide, que dei trabalho feito criança!
Alegre e emocionada, saí da maternidade com Miguel nos braços e um papelzinho da alta. O Flávio foi com as malas a tiracolo. Esperei na portaria da Santa Casa, papai chegou com o carro bem em frente, colocou nosso menino no bebê conforto, tudo certinho e eu entrei no carro. O trajeto foi longo e dolorido, sentia tudo balançando dentro de mim feito um shake!
Era o primeiro passeio de carro do Miguel, minha primeira vez na rua como mãe, e o adesivo "Miguelito a Buerdo" agora fazia todo sentido!

9 comentários:

Yasmin*´¯`*.¸¸.*´¯`*♥* disse...

Ai Dri...a cada post seu fico imaginando tudo isso comigo...queremos agendar a cesarea para finalzinho de dezembro...to me imaginando vivenciando tudo igual kkkkkkkkkkkk..eita ansiedade

bjinhos

lane disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
kassis disse...

Oi querida....se tudo tivesse sido perfeitinho não seria com vc né!? Tinha que ser pelo menos 7 picadas...fala sério! Ninguem merece! Mas a recompensa se chama Miguel e é isso que importa! Se a ansiedade não me matar por esperar a continuação de seu relato vou adorar o 2º capítulo do dia mais feliz de sua vida. Beijos.

Rênata Sakura disse...

AHAHAHAHHA, adoro como vc descreve as coisas direitinho!! passeio de maca e de nenem??? auhauhauah vc é doidinhaaaaaaaaaaaaaaaaa

então essa anestesia dói mesmo heim? uuii que meda!

... beijinhosssss

Rênata Sakura disse...

é dri, vou ver com o meu marido se agente vê um aqui ou lá mesmo, porque é dificil vc achar um GO bom!

vou ver com ele... mais óólha.. to nos nervos até agora!

clinicas de reprodução deve ser melhor mesmo!


PS : amei essa musiquinha!!

beijinhos

Mamãezinha Feliz!! disse...

Nossa, que relato emocionante, aliás, EMOCIONANTÍSSIMO!! Me coloquei literalmente no seu lugar... Mas tudo isso vale a pena não vale? Ver o pqno Miguel lindo e maravilhoso, já basta.
Vc vai se recuperar logo e vai ser uma super Mamãe! Força ;)
bjos

Lyninha Carvalho disse...

Ai dri, o miguelito é lindo! E que post emocionante, adorei seu relato e momento que vc narra a chegada do Flavio no cc foi de arrepiar!Muitas felicidades!

Beca Bricio - Mulher que pariu disse...

Nossa que relato lindo! Deu tudo certo, to aqui toda emocionada chorosa ao som dessa linda canção.

Força, pois depois de todas as barreiras q vc enfrentou, o Miguel é o seu maior prêmio! Parabéns! um bjão

Luigia Macena disse...

Oi, Adriana, conheci seu blog e vim ler seu relato de parto, ri muito com seu jeito de descrever realmente como foi, kkk. Leio muitos relatos e muitas coisas as mamães deixam de falar mas você contou tudinho para esclarecer os prós e contras da cesárea né.
Adorei, vou ficar te acompanhando na nova gestação.

Mil bjus!

luigiasblog.blogspot.com.br