quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Memórias da mamãe

Parece que foi ontem. E aqui estou eu contando os dias (2) para que Miguel complete 365 dias ao nosso lado. Digo, aqui do lado de fora, porque ele ficou 39 semanas e 1 dia dentro de mim e sinto tanta falta desse contato visceral!
Parece que foi ontem aquela tarde animada lá na casa antiga em que eu e o Flávio, sem saber, estávamos iniciando essa viagem maluca que é ter um filho. Na verdade, nem ele nem eu tínhamos esperanças disso. E no dia 27 de março de 2010, uma célula partiu do papai em direção à da mamãe.
Logo depois algumas dores estranhas, sonolência e outros sintomas me levaram a fazer o teste de farmácia, tão conhecido meu. Mas para mim aquilo seria apenas uma rotina, era fazer o teste e a monstra aparecer. Mas dessa vez foi diferente. As duas listras rosadas denunciaram um pequeno ser aqui dentro de mim. Assustei, chorei, reneguei. Tive medo, pavor de tudo o que viria pela frente. Não quis acreditar, fiz outro teste no mesmo dia e ele novamente, apontou a gravidez. Me desesperei, o Flávio também ficou sem rumo. E agora? Como é que esses dois durangos vão criar um filho, se nem conseguem manter suas próprias necessidades? "Deus proverá", me disseram uma vez. Eu dizia não acreditar nessas coisas. E continuei querendo não acreditar naquela gestação. Até o dia em que fui pela primeira vez, a consulta com a obstetra. Ela confirmou a gravidez, eu estava já com 9 semanas.
Como fui imbecil naquele dia. Saí chorando litros daquele consultório. Eu chorava copiosamente, fechei os vidros do carro e dirigi pela cidade, lamuriando, gritando, parecia uma sirene. Que vergonha, perdoa, meu Deus!!!!
Não tive apoio nessa época dentro de casa. A pessoa que me ajudou e disso não esqueço nunca, foi alguém que nunca tive a oportunidade de dar um abraço, nunca vi pessoalmente, mas que para mim é como uma irmã querida: minha amiga Aline, lá do Sul do país. Ela abriu meus olhos e me fez enxergar que eu tinha em mãos uma dádiva e não estava valorizando. Enquanto tantas mulheres sonhavam com esse dia, eu estava simplesmente jogando tudo fora. E naquele dia, com aquele verdadeiro tapa na moral, eu acordei para a minha nova realidade.
Desde então, a gravidez fluiu até a 39ª semana, conforme meu diário cuidadosamente anotado neste blog. O "Mamãe da vez" surgiu tímido, lento, mas foi tomando forma e ganhando seguidores fiéis. Foi meu companheiro dos dias na cama, repousando, foi meu alento na espera do meu filhote.
Até que dia 10 de dezembro chegou e lá fomos nós 3, papai, Mimi e eu, para a maternidade. Eu estava calma e feliz.
O parto, que foi relatado aqui, correu bem. Tive alguns contratempos depois - pelo vazamento do líquor da coluna, a terrível cefaléia pós-raquidiana me botou em xeque-mate. Juntamente com a anemia e as fortes dores na cirurgia, eu estava muito debilitada, meu marido nem teve sua licença paternidade e eu me vi sozinha para cuidar daquele bebê tão frágil. Mas a natureza é muito sábia e arruma uma forma de ajudar as mães a sobreviverem a tudo e não foi diferente comigo.
Miguelito, 4 dias de vida.

O tempo foi passando e eu me desdobrava em cuidados com meu filhote. Miguel sempre teve uma ótima saúde, embora tenha nos dado alguns sustos lá pelos 40 dias de vida. Um pediatra pouco experiente, diagnosticou duas vezes, patologias que necessitavam cirurgia corretiva: da primeira vez, encontrou uma estenose de duodeno. Na verdade era um refluxo forte, que fez com que Miguel precisasse tomar 3 tipos de medicamente por algum tempo.

Na segunda vez, em conjunto com um "renomado" cirurgião pediátrico, encotrou uma hérnia inguinal, que também precisaria de intervenção cirúrgica. Na verdade era uma hidrocele e o organismo do Miguel reabsorveu o líquido.
Radiografia com constraste constatou o refluxo gastroesofágico.

Com dois meses, outro susto. Eu derrubei o Miguel do bebê conforto. O dispositivo simplemente virou feito uma caçamba e o pobrezinho se estatelou de cara no chão. Ficou 8 horas em observação no hospital, mas graças a Deus nada aconteceu. Na semana seguinte, o acidente aconteceu novamente, mas dessa vez, nas mãos do pai dele. Resolvemos que o bebê conforto nunca mais sairia do carro.

Com 4 meses, ele ficou gripado pela primeira vez. Mea culpa. Eu estava totalmente adoentada e não tive como evitar o contágio.

Depois disso, só alegria! Miguel se desenvolveu plenamente, se transformou num menino lindo e inteligente, cheio de personalidade. Aprende rápido e surpreende com certas atitudes.



Hoje eu sou a mulher mais feliz do mundo. Nem as dificuldades que a gente enfrenta por aqui, nem nada, me tira a alegria que o Miguelito me proporciona. Ele é a razão de eu estar em pé e lutando. E vai ser tudo isso enquanto eu viver. Quero morrer bem velhinha, para aproveitar cada fração de segundo ao lado do grande amor da minha vida.

Hoje é dia 8. Dia 10, sábado, Miguel completa seu primeiro ano de vida. O primeiro de muitos. E meu maior desejo é que ele seja um cara pra lá de bacana, cheio de virtudes. Que encontre um rumo na vida, case com uma mulher honesta e que o faça feliz. E que dê continuidade a essa roda da vida.






3 comentários:

Futura mãmã disse...

Oi mamae...
Bem que sustos viu mas que bom que nao passaram disso mesmo =D E miguel ta ai esperto, e saudavel o que e mais importante =D
Beijo

* Rê * disse...

Eu talvez tenha entrado no blog quando vc ja estava nas 30 semanas, de la acompanhei sempre o seu blog. Muito legal a retrospectiva que fez. Nao foi facil mesmo.. parabens pra vcs 3! beijo

Than disse...

Ai Dri o q eu posso falar?
Conheço seu blog ha tempos, estávams gravidas de quase a mesma semana e me peguei algumas vezes pensando: "no dia q a Adriana postar q o Miguel nasceu, a Anna estara BEM proximo de nascer tb!"...maaaas...eles decidiram vir no mesmo dia! rs
E eu acompanho vcs, gosto de vcs,respeito e admiro!

Parabens pro Mi...q venham mais trocentos anos de vida pq ele é uma dadiva de vida e amado por todo mundo!

Beijos