segunda-feira, 6 de junho de 2011

Um desabafo

E lá se vão 6 meses desde aquele lindo dia em que Miguel nasceu. Sem dúvida, o dia mais marcante e mais emocionante da minha vida. Amo meu filho como uma doida varrida, protejo ele feito leoa, por ele eu mato e morro. Amor puro, sincero e desinteressado, amor de mãe. Incondicional. Vivo por ele e pra ele. E aí é que entra o lado B da história.
Quando a gente recebe aquele positivo, a vida começa a sofrer uma metamorfose daquelas. A partir desse dia, tudo que era já não é mais. Todos os nossos sonhos mudam, nossos focos passam a ser outros. Pudera! Carregamos uma vida dentro do ventre, olha que responsa! E as pessoas que nos cercam? Um caso à parte: uns passam a nos tratar feito ET's. Outros, como se fossemos bibelôs, coisinhas frágeis que nem podem sair na calçada sob pena de adoecer. Outros ainda, nos tratam como meras embalagens de uma mercadoria cara. Tudo pode acontecer, só que essas pessoas se esquecem que por trás da gestante, ainda existe uma mulher que sente, pensa, deseja. Eu sempre desejei ser tratada de igual pra igual. E nunca fui. 
Depois vem o parto. A partir desse dia, você não é mais você. É apenas a mãe. No meu caso, eu não sou a mulher Adriana, a amiga, a esposa e amante. Sou unicamente a mãe e dona de casa. Se tenho nome? Nem eu sei mais se sou ainda a Adriana de antes. Quando me olho no espelho não gosto do que vejo. Vejo uma massa disforme amontoada e saindo pelos lados da lingerie de matrona italiana. Escapando pela roupa que um dia me serviu quando pesava 10 kg a menos. Vejo as unhas descascadas, o rosto cansado e sem expressão. Olheiras, cabelos secos e caindo. Olho pro meu arsenal de coisas legais e não me animo a usar. Claro, com que tempo, se nem consigo tomar um banho bacana? Outro dia resolvi me depilar. Jesus amado, eu parecia o Robinson Crusoé! Mais de um mês largada! Logo eu que era a criatura mais cocotinha desse mundo. A mais cheirosa, a mais "montada", que vivia sempre com tudo em cima. Eu simplesmente não tenho tempo! Não tem coisa pior do que não ter tempo para si próprio. O pouco que me sobra eu arrumo a casa. E também já não fica mais nem metade do que era antes. E olha que eu trabalhava fora, nunca tive ninguém pra me ajudar. 
Eu não sei o que aconteceu comigo. O Miguel não tem nada a ver com isso, aliás, ele é minha tábua de salvação. E pra ele que eu olho quando penso em desistir de tudo, e o sorriso dele me faz ter vontade de prosseguir, de vê-lo crescer. Mas eu estou cansada demais, triste por ter perdido minha identidade. Com inveja daquelas que conseguem levar tudo numa boa, conseguem ter uma vida normal depois disso tudo, daquelas que recuperaram as formas de antigamente. Das que podem pegar um cartão de crédito e sair às compras pra satisfazer seus egos de mulher. Das que se sentem amadas e desejadas. Das que ainda são o que sempre foram. Estou amarga, fechada pra balanço.
Dizem que vai passar. Pode ser que passe, não sei. No meu caso, depende de muitos fatores. Continuo sendo A Mãe do Miguel. Muito boa mãe por sinal, mas só isso. Eu já não sei quem eu sou na verdade, quem se esconde por trás dessa máscara de mulher forte. Preciso descobrir.

9 comentários:

Monalisa disse...

Caramba, Dri. Como tem coisa com as quais me identifico nesse seu post. Principalmente qdo vc diz q tem inveja das mães q conseguiram retornar à rotina de antes. Eu ainda não sei o que é isso! Mas espero, sinceramente, um dia saber.
Creio que isso são só fases... e que irão passar. E a gente ainda vai rir, e muito, dessa fase!
Amém!

hehehe

Andrea Fregnani disse...

Adriana, por aqui acontece parecido, mas eu já me conformei, mãe que cuida da cria o tempo todo, realmente não tem muito tempo pra si mesma, desconfie das que conseguem hihih tenho conseguido aos poucos (Alice está com quase 10 meses) me cuidar mais, e acho que tudo vai melhoando com o tempo, e logo, pq o tempo passa rápido com esses bebês, viu? Logo vão pra escolinha e a gente tem tempinho pr ficar vaidosa de novo ;)
bjs

Renata Clessan disse...

Parece q estou lendo o relato da minha atual situação... eu tbm me sinto assim Dri... é um saco!
Eu queria ao menos me sentir bonita para mim mesma, como antes, mas nem isso consigo... Vou torcer, por nós duas, para que tdo isso passe logo...
bjos

Amanda disse...

Sabe, Dri, exitem coisas nas quais não acredito, e essas super mães que adoram ficar grávidas, não tem dor no PN, amamenta, exclusivamente sem nenhuma ajuda por seis meses, vivem maquiadas, com cabelos lindos, transam dia e noite com seus maridos, ficam mais gostosas dois meses após o parto do que antes de engravidarem, tem casas impecaveis, cozinham e ainda passeiam com as amigas, trabalham fora por prazer e terminam o dia sorrindo como se tudo fosse mto fácil, NINGUÉM é assim! E essa imagem que criaram de mulher ideal e unico modelo aceitavel nos faz mto mal. Confesso que encontrar a mulher em mim é mto dificil, nem qndo estou transando com o marido esqueço completamente da minha filha, e digo isso sem vergonha nenhuma, sabe pq?Pq ainda não consegui encontrar a mulher que eu era antes de ser mãe, e acho que jamais a encontrarei, preciso mto me encontrar tbm, me redescobrir, me recriar...
Isso vai passar? Não sei! Bem que eu queria saber qndo essa crise de identidade vai embora, pq tô de saco cheio! #prontofalei

Merciana Amorim disse...

Oieee, tem selinho pra vc que é mega especial,no meu blog, busca lá, xeroooo !!

Gi-mamãesaudável disse...

é, a vida da gente se transforma e eu meio que nao me encotrei ainda, apos quase 8 meses do nascimento da sarah.
mas dizem...dizem, que td volta ao normal...
to esperando!

bjs

Sol & Rena disse...

Nossa tirou todas as palavras da minha boca....
eu tive que voltar a trabalhar e to me sentindo um verdadeiro trapo...

*Rê* disse...

hum, olha, lendo o seu post comecei a imaginar as mulheres da italia... A maioria delas sao metidas no sentindo "tenho 2 ,3 filhos e to usando sainha".. a maioria sao assim...

Quando pensei em ter filho e via elas como sao ficava me perguntando se vou conseguir "manter a postura" de mulher depois do filho. La parece que as pessoas te forçam a isso..todo lugar que vc vai ha pessoas bem vestidas, com carrinho de bb e enxutona,limpa,nem parece que è a mae.

Fico com essa mesma inseguranca sua ai..essa sensacao passa varias vezes pela minha cabeca mais nao sei oque pensar.. so penso em tentar me esforca pra manter algumas coisas.

Me sinto OBRIGADA a ser a boazuda depois do bb,se eu nao fizer isso... TODAS estao fazendo e eu vou me sentir muito mau ali no meio...

realmente... nao sei se passa.. nem sei qual è o make off delas pra parecer assim.. talvez seja so uma mascara mesmo, pq no fundo, somos mulheres e nao e facil pra maioria, talvez elas finjam que ta tudo sobre controle pq como pode uma mulher passar por uma mudanca dessa e continuar vendo facilidade, ou demontrando?

aih...vai la saber..eu so sei que me indenfiquei com o post e talvez seja uma fase, tomara!

desculpa ae o post grande!
beijo

Débora Beyer disse...

Noooooooooooooooooooossa!

Li isso e fiquei pensando, "Gentchy! Como asseeeem? Fui eu que escrevi isso! Só pode!"

Adriana! Eu me sinto exatamente assim, exatamente mesmo! E faz mais de um ano que o Vicente nasceu!
Estou esperando há muito tempo isso passar e até agora nada.

Estou acabada, acabadíssima. Triste, insatisfeita, angustiada. Me sinto feia, me sinto incapaz por não conseguir dar conta de tudo.

Como você disse, é horrível não ter tempo pra cuidar de si. É uma das piores coisas que pode acontecer.
Eu nunca mais passei um hidratante, nunca mais fiz as unhas, nunca mais cuidei do cabelo (pinto pq se não pintar todo mês fica ridículo, mas é só). Só faço as sobrancelhas quando já estão taturana, sabe?

E eu era como você! Adorava andar toda montada, make lindão, toda perfumada. E agora? Quando eu consigo tomar banho é lucro.

Cansa né? Cansa essa coisa de ver a casa bagunçada e não dar conta, de não ter grana pra resolver tudo, de não saber mais quem somos.

Espero que passe um dia, de verdade!

Beijo!