Um dia minha mãe saiu e deixou meu pai tomando conta de mim.
Eu tinha uns dois anos e meio. Alguém tinha me dado um "jogo de chá" de presente e era um dos meus brinquedos favoritos.
Papai estava na sala vendo o noticiário na TV, quando eu trouxe para ele uma "xícara de chá", que na realidade era apenas água. Após várias xícaras de chá, e com eu recebendo elogios entusiasmados do papai a cada xícara servida, minha mãe chegou.
Meu pai a fez se sentar na sala para me ver trazendo a ele uma xícara de chá, porque era "a coisa mais fofa do mundo!" Minha mãe esperou, e então, lá vinha eu pelo corredor com uma xícara de chá para o papai e ela o viu beber todo o chá.
Então ela disse (apenas uma mãe saberia);
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- Passou pela sua mente que o único lugar onde ela alcança água é na privada?
Os pais não pensam igual às mães.....
Cozinheira, bagunceira, mulher sem eira nem beira. E agora, mãe de terceira viagem! Conheça meus medos, desejos e alegrias no convívio com o Miguel, Arthur e o novo integrante da família, Davi.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
O primeiro banho de ofurô
Depois de uma postagem polêmica, onde talvez algumas pessoas tenham me achado ríspida, outras tenham me dado razão - e eu espero que o que eu disse tenha acordado essa mamãe anônima - volto para contar rapidinho sobre o banho de ofurô do meu meninão.
Eu bem que havia tentado dar um banho de balde no Miguel logo nos primeiros dias de vida, mas tive muito medo porque eu era inexperiente e ele todo molengão. Parecia que iria escorregar e afogar.
Porém agora que Miguel está mais esperto e durinho, ontem resolvi dar o banho de ofurô (ou balde, ou tummy tubbie) porque ele estava muito xaropinho, chorão e inquieto. Queria ver se ele ficaria calmo mesmo.
O resultado foi esse:
Mas o efeito "curtindo um barato" durou pouco. Miguel amou a novidade, aproveitou muito e relaxou. Pensei que era o início de uma boa noite de sono. Mas que nada... logo após ser enxugado e vestido, ele começou novamente a sinfonia. Ora esfregava a cara, ora se contorcia. Creio que ele tinha sono e cólica, tudo junto. Em sistema de revezamento, ficamos cuidando dele, tentando massagens, Funchicórea, bolsa de água quente, etc. Foi aí que o o Flávio encontrou isso, e que acreditem (eu já não acreditava em mais nada), resolveu e Miguel dormiu muito bem, obrigada.
Quem não dorme tão bem é a mamãe aqui, que está a cada dia mais e mais demolida. O bom é que "vai passar"...
Hoje é mêsversário do Miguel, o primeiro de muuuuitos. Pois é, já passou o primeiro mês e eu nem vi!
Vai ter um bolinho básico hoje à noite pra comemorar, e amanhã eu volto pra botar as foteeenhas!
Tchauzim, pessoal!
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Resposta a um comentário que recebi (que phoda)
- Ao entrar no meu blog agora a pouco, percebi um aumento no número de comentários. Não estavam em nenhuma das minhas postagens recentes. Fui procurar e me deparei com um tópico que fiz sobre a depressão. E lá, para minha péssima surpresa, me deparei com isso:
- Anônimo disse...
- o que devo fazer to com 22 semanas de gravidez....n sinto vontade de fazer nada,to triste;n consigo comer quase nada.na verdade minha nem to fazendo pre-natal.
- 7 de janeiro de 2011 13:34
- Anônimo disse...
- minha vida acabou...já tive vontade de comer suicidio....to gravida de homem casado.que agora me trata como se eu fosse lixo.queria tirar esse bebe....odeio minha vida.as vezes penso que seria melhor eu morrer quando ele nascesse.
- 7 de janeiro de 2011 13:38
- Pois bem, tudo me leva a crer que a mesma pessoa postou nas duas vezes. Fiquei chateada com o que li. Não estou aqui para julgar ninguém. Mas Anônimo, por favor, pense bem: qual é a culpa dessa criança, para você agir dessa forma? Será que nesse seu coração não existe amor?
- Manda o tal homem casado à putaquepariu, de verdade. A culpa do bebê estar aí sendo gerado é sua e do seu namorado casado. O bebê não tem nada com isso.
- Tudo o que a gente faz na vida, tem uma consequência. Você transou, engravidou.
- Agora eu te peço, não aborte e nem abandone essa criança. Que com toda a certeza do mundo, está aí com um propósito.
- Você sabe o que é um aborto? Você já viu o efeito que ele produz no feto? Já viu como ele estraçalha o bebê em pedacinhos? Teve a chance de ver a fisionomia de dor de um feto arrancado do ventre materno? Eles têm sentimento, embora você não pense nisso agora, está muito ocupada pensando na sua "droga de vida".
- Se você tem amor no coração, se você tem um pingo de misericórdia, não cometa esse assassinato! Essa criança não merece morrer por um crime que jamais cometeu. E não se esqueça que além de tudo, você estará gerando um karma negativo praticando um aborto.

Foi assassinado, sem chance de defesa... 
Ele tinha tudo para ser um menino feliz, um homem de bem... 
Isso é o que você quer, Anônimo? - Se alimenta, vai ao posto de saúde, procura um médico e faz o acompanhamento da gravidez. Bota um pouco de carinho nessa barriga, um pouco por dia, converse com seu bebê, sinta ele se mexendo, sinta o amor e o laço crescendo. Ser mãe é uma dádiva, não se prive disso, não prive esse bebê do teu colo, do teu seio, teu calor. Quanta mulher queria estar gerando uma vida e não pode, e você com esses pensamentos criminosos!
- Depressão tem tratamento, vai se cuidar. Não caia. Se eu fui dura, perdoa. Mas um tapa na cara tem às vezes o poder de acordar uma pessoa. Espero que eu acorde você. Desculpem amigas, pelas imagens fortes.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
O chororô do Mimi e o novo pediatra
No primeiro dia do ano, Miguel fez seu primeiro passeio intermunicipal. Ele se comportou muito bem, dormiu e fez mó papel de santo na casa da vovó. Todo mundo viu como ele é bonzinho... e parou por aí.
Já naquela noite, ele deu muito trampo pra dormir. A madrugada comia solta e o menino todo ligadão. E conforme a semana foi entrando, a coisa foi só piorando. Até que ontem a situação ficou russa! Eu tive vontade de fechar a casa e sair pela rua, correndo pelada e gritando! Eu quase pirei! O Miguel ligou a sirene lá pela 4 da manhã e varou o dia aos berros. À noite, mesma ladainha. E nada do que eu fizesse, repito, NADA do que eu fizesse, resolvia o berreiro do moleque. Banho, fralda, tetão, cantar, passear, massagem, chupeta, bicicletinha, colo, berço, carrinho, bebê conforto. Imagina só, eu perdi a compostura e comecei a chorar também. Sei que não pode, mas não há um ser vivo que aguente tanto cansaço e choro incessante de bebê! Poot a keep are you!!!! Ele só foi ficar quieto quando o Flávio e eu o levamos ao mercado, à noite. Ele ama passear. Mas nem pensar em passear com ele sempre que o chororô vier.
Como se não bastasse, a quantidade de golfadas dele não estava nada normal, ao meu ver. Ele botava pra fora tudo o que mamava, o tempo todo e logo pedia mais tetão. E ficava tão nervoso, que mordia o bico da minha teta e puxava, pra depois soltar, feito tripa de estilingue. Logo pensei em refluxo. Procurei o Flavio pelo msn e pedi pra ele marcar um pediatra que ele descobriu esses dias.
O pediatra atende aqui na cidade por um convênio que nós temos, mas não possui um consultório próprio. Na verdade, ele é pediatra num grande hospital da região e também num hospital universitário. E eu fui confiante, afinal estava procurando um pediatra pra chamar de meu. É, porque aquele tal que atendeu o Miguel dia 21 passado eu odei. Nem relou no meu filho, além do que o véio porco criava um rato dentro da orelha (Deus me livre aquela coisa peluda). Pra mim, médico deve ser limpo, com cabelo bem cuidado, pelos aparados e claro, ser atencioso, revirar a criança e esclarecer a mamãe.
E o nosso novo Dr. é isso! Um rapaz novo, na casa dos trinta anos, mas com um monte de bagagem nas costas. Eu fiquei acho que uma hora no consultório. Ele me esclareceu todas as dúvidas, examinou o Miguel de alto a baixo, apalpou, verificou reflexos, ouvidos, nariz, garganta, pingolim, saquinho, fralda, pesou, mediu. Pediu até meu e-mail para mandar dicas para o desenvolvimento do Miguel. E o tato com o bebê? Muito bacana, me satisfez plenamente - e olha que isso é difícil, sou exigente! Eu amei. Estou bem tranquila em tê-lo respaldando o Miguel a partir de agora.
E o que nós descobrimos? Bom, a princípio não seria nada de complicado, como má formação no sistema digestório do Miguel. Com uma apalpação, ele procurou um caroço que indicaria lá uma doença (nem me pergunte o nome), que seria o estreitamento da passagem do esôfago e não deixaria a comida adentrar estômago abaixo. Nem sinal. Bom sinal, aliás. E o Miguel está engordando bem, cerca de 48 gramas ao dia. Em 25 dias, ele ganhou 1,260 kg e cresceu 4 cm.
Concluímos duas coisas:
1 - Pelo contorcimento do Mimi e o endurecimento da barriga dele, cólicas. Eu vou alterar minha alimentação, fazendo alguns cortes. Evitar refrigerantes, café, chocolates. Comer muito ferro, frutas, legumes. Na dúvida, comer o mais natural possível, sem inclusão de industrializados. E beber muito líquido, mas nunca deixar a popular garrafinha plástica ao lado da cama. Sempre vidro, alumínio. Plástico faz mal.
2 - Pelo vômito, refluxo. Mas não é a doença do refluxo. É apenas refluxo. Regurgitação. Porém o ato de devolver o leite que estava no estômago (que vem com os sucos gástricos juntos) causa uma queimação no esôfago. E é isso que vamos tratar. Outra coisa, sempre após as mamadas, deixá-lo 40 minutos sentadinho, para que o leite encontre dificuldades em retornar.
E é isso. Estou mais tranquila e desde que cheguei em casa com ele, às 15:40, ele mamou 3 vezes e agora está aqui dormindo no bebê conforto! E sem vomitar!
Ah, e mais uma indicação, e esta vale pra todas as mamães: banho de sol duas vezes ao dia. Manhãzinha e tardezinha. Bota um edredon ou lençol no chão, e coloca o nenê peladão, vai virando ele. Pode ser uns 20 minutos, e começa aos poucos, 5 minutos, 10 minutos ao dia, até chegar ao tempo indicado.
Outra coisa: não precisa ficar entuchando pomada na bunda do bebê (isso eu sabia - tava fazendo muito certo, mal usei hipoglós e bepantol), a não ser que haja uma irritaçãozinha ou assadura. Por isso até é bom tomar sol pelado, pra arejar a zoninha do agriãozinho deles.
Outra coisa: não precisa ficar entuchando pomada na bunda do bebê (isso eu sabia - tava fazendo muito certo, mal usei hipoglós e bepantol), a não ser que haja uma irritaçãozinha ou assadura. Por isso até é bom tomar sol pelado, pra arejar a zoninha do agriãozinho deles.
Bom, é isso! Tenho retorno dia 14 pra gente avaliar o Miguel, se o tratamento surtirá o efeito desejado, e pra depois dar continuidade, já que o acompanhamento é mensal. Assim que eu tiver novidades e dicas, venho dividir com vocês!
PS: eu não fui à GO ver esses pontos aqui da minha cesariana. To limpando com água oxigenada e passando o álcool 70%, ficando bem quieta (se bem que o Miguel esses dias não m permitiu nem sair do quarto). Não tá saindo pus, eu não tenho febre e acho que não há e ser nada. Continuo de olho, mas sair assim com o Miguel e sozinha tá froids! Hoje rolou o pediatra porque o Flávio levou. Mas ele não pode me choferar a tudo quanto é canto. E dirigir com o corte abrindo não rola. Andei vendo que meio mundo teve o que eu tenho, de abrir uns pontinhos (os meus foram os intradérmicos - ou ponto de plástica, como são conhecidos), e não houve maiores consequências. É como eu disse, basta não descuidar!
Fui!
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Xiiii, sujou! (literalmente)
Hoje pela manhã, senti uma coliquinha bem chata, como se o velho Chicão fosse dar as caras. Mas eu nem liguei, afinal passei por uma cirurgia a menos de um mês. Fiquei na minha.
Mais tarde, Miguel abriu o berreiro pedindo tetão. Lá fui eu, suprir suas necessidades mamológicas. Acontece que sempre que ele termina de mamar, ele espreguiça um monte. E ele se espichou tanto, que meteu um chute bem no corte da cesárea. Oras, não é bem o primeiro que eu tomo, então também nem me liguei.
Mais tarde, meio dia, fui ao banheiro, fazer aquilo que ninguém pode fazer por mim. E ao arriar a biruta de aeroporto calcinha, notei que ela tinha uma mancha sanguinolenta num local que coincide com minha cicatriz.
Aproveitando que marido estava em casa para o rango, pedi para que ele olhasse. Diagnóstico: uns pontinhos meio abertos, meio úmidos. Porra! Logo agora, 25 dias depois, essa joça vai me dar problema? O foda é que o ambulatório do GESTAR já fechou e só amanhã poderei entrar em contato. Eu mereço! Espero que isso não seja nada demais, que não infeccione, não me complique e que eu possa atravessar o puerpério em paz.
Mas eu acho que tenho boa parcela de culpa, por não ficar tão quietinha quanto deveria... bom, sei lá, espero que não passe de um mero detalhe sem importância...
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Toninho Safadeza, Jão Xixi e Zé Cocô
| Cara de quem tá planejando mais uma safadeza das braba. |
São esses e outros tantos os nomes que Miguelito ganhou nesses 24 dias de vida. Ô menino safadinho, esse meu filho. Os dias passaram bem rápido, eu me adaptei às tarefas diárias como dar banho, trocar fralda, limpar busanfa cheia de cóquis. Mas tem muita coisa que ainda não consegui assimilar, como as noites sem dormir, ou o chororô que não quer cessar. Mas isso ainda é fichinha... o danadinho tem me dado um baile e tanto. Não me permite tomar banhos decentes, com depilação nas pernocas ou um pouco mais de água caindo na lomba. Ele berra me pedindo pra voltar ao seu campo de visão.
Se eu resolvo almoçar, buááá de novo. E se eu resolvo dormir, cunhéééé!
Aí não dá, misericórdia! E ele então resolve se vingar da minha saidinha com seus poderosos jatos de cocô. Ai de mim, ai do papai também.
No último dia de 2010, ele acordou pra tetar. E eu antes de mais nada, troco a fralda pra evitar manipulação após o tetê. Senão ele bota tudo pra fora. É meu Top Therm natural. Fabriquinha de iogurte. Hauhahahuahu!
| Adquira já a sua iogurteira Top Therm! |
Bom, lá fui eu trocar a fralda do meliantezinho. Bunda limpa e cheirosinha, tudo pronto para receber a fralda zero bala. Um tsunami de cocô atravessou o espaço em direção ao meu braço, que ficou amarelinho da silva. Tomei um banho de bosta quente. Nhéééé! Chamei o Flávio pra me acudir. Aquilo era bosta em mim, no chão, no trocador e na cômoda. O coitado se abaixou pra limpar o chão e pxiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Tomou uma mijada na careca. Ahhh, ai eu não podia mais. Gargalhei, fiquei mole, me rachei de rir. Eu cagada, papai mijado. E Miguel fazendo cara de satisfação. E ele tá assim, malandrão... peidou na mão da tia Sil (na minha cara também), fez iogurte bem na hora da foto com a vó Maria, e todo mundo acha lindo. Quero só ver se eu fizer metade disso, vão me chamar de porca!
Bom, não tem só isso pra falar, claro. A vida de Mimi também tem aventura! Éééé, dia 30 foi ao mercado pela primeira vez, dia 31 ele fez seu primeiro passeio no shopping, pena que mamãe nem se ligou em fotografar. No dia primeiro de janeiro, fez sua primeira viagem para outra cidade! Passar o dia na casa da vó, lá em Bariri! E na última semana do ano, passou por aquilo que chamam de pico de crescimento, que é quando o bebê se desenvolve mais rapidamente, mama muito e dorme pouco. E estamos agora caminhando para o primeiro mês de vida, falta muito pouco, menos de uma semana. E parece que foi ontem... o tempo passa mesmo.
E tudo vale a pena, demais. Até o cocô no braço! O melhor de tudo é registrar, para nunca cair no esquecimento. Agora eu vou nessa, que o meu safadinho está me chamando...
domingo, 2 de janeiro de 2011
A primeira blogbobagem de 2011
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Feliz 2011!
Depois de um ano cheio de novidades para muitas mamães da blogosfera...
Das barrigas imensas, das estrias, das vontades mais loucas...
Depois de muitos queijinhos pós-mamada...
Das noites mal dormidas, dos sorrisos banguelas, do cheirinho irresistível dos cangotes gordinhos...
Depois de tudo isso, eu só posso desejar a todas nós
Um 2011 cheio de mais outro tanto de coisas legais
De realizações para as tentantes
De nascimentos para quem ainda está com barrigão
De novidades para quem já desbarrigou!
Feliz Ano Novo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
A gente se vê no ano que vem!!!!
A gente se vê no ano que vem!!!!
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Retrospectiva 2010 - altamente editável
Pois é, pessoal! Mais um ano indo pras cucuias. Eu particularmente detesto esse negócio de terminar ano, reveillon, blablabla, adeus ano velho, feliz ano novo. Dá uma preguiça gigante começar tudo do zero. Janeiro, Fevereiro...Bah... Na verdade eu me apego ao ano que está acabando e sempre fico com aquela sensação de final de novela boa.
Mas como eu não sou a senhora Chronos, o negócio é, como diz a tia Martha, relaxar e gozar (eita, nem isso eu to podendo).
Já que eu me apego tanto ao ano velho, esse 2010 então nem se fala. Acho que foi um dos anos mais lindos e completos para mim. Sinto falta de alguns passados, como todos os anos da década de 80 (ai, que infância saudosa), 2001, 2002... anos bons, me trazem lembranças divinas. Mas em 2010 eu me tornei uma mulher com M maiúsculo, negrito e fonte corpo 100! Com M de mãe!
A minha retrospectiva começa mesmo um pouco antes da descoberta que mudaria minha vida. Vamos ver como foi que tudo começou.
(Ah, e eu posso voltar aqui e editar caso me lembre de algum detalhe extra)
Abril/2010 - Estou numa fase introspectiva, extremamente sensível. Sinto muito cansaço e durmo em qualquer canto. No auge da frustração, digo ao Flávio que diante de tanta coisa que não tinha conseguido até então (terminar a faculdade, casar vestida de noiva - com modelo já escolhido e tudo - , viajar e conhecer o mar), não ter filhos viria a coroar a minha fraqueza diante da vida. Eu me sinto uma perdedora. Sem desconfiar de nada, numa tarde de sábado onde meu humor alcançava o núcleo da Terra de tão pra baixo, eu digo ao maridex que não queria mais tentar um filho e que voltaria a tomar a pílula. Estava apenas esperando a monstruosa dar as caras para iniciar o ciclo de contraceptivos. A época era complicada financeiramente, não conseguia comprar nem um grampo de cabelo para mim, e pensava no que eu poderia oferecer a um filho naquele momento.
Sinto desejos de comer coisas que sempre odiei: mingau de aveia cozido e bem colento, sorvete de morango, salada de maionese. Embora tentasse emagrecer, eu via o ponteiro da balança avançando a cada dia. Mais cansaço. Peitolas grandes e doloridas. Como era praxe, nada do Sr. Chicão dar as caras. Eu ainda não desconfiava de nada.
Tenho ainda uma infecção de urina após uma década sem o problema. E ainda uma gripe de matar elefante, que me botou de cama em observação. Era como se meu corpo não tivesse defesa, já que eu jamais havia passado por uma gripe tão forte em toda a minha vida.
Maio/2010 - Dia 3, segunda-feira. Entre gráficos e relatórios, meus olhos pesam, ainda com o corpo moído pela gripe da semana anterior. Observei que meus seios estavam grandes, cheios de veias e doloridos. Numa ligeira busca no google, cruzei alguns sintomas e encontrei a resposta: gravidez. Não botei fé, não era a primeira vez que sentia aquilo. Deveria ser psicológico ou hormonal. Mas para ficar tranquila, pedi ao Flávio que comprasse o teste. Ele já desconfiado não quis esperar e me entregou a caixinha com o kit bem no meio do expediente, e me pediu que o fizesse ali mesmo. Esperei a vontade de fazer xixi e em instantes, o resultado. Na primeira fração de segundo, me lembro de ter sorrido, talvez em choque. Depois a tremedeira. Eram dois riscos, que deixava clara a situação: um positivo! Infelizmente, naquele momento, nem eu e nem o Flávio aceitamos a novidade. Eu chorei e desejei que fosse um equívoco. Pedi novo teste, com marca diferente. Desta vez, feito já em casa, na calada da noite. Em instantes, a tirinha se coloriu com os dois risquinhos. Era fato, eu estava realmente grávida!
Assustada, ainda estava longe de aceitar a notícia. Tinha bem lá no fundo a esperança de um falso positivo. Enquanto isso, amigas me encorajando e mostrando o quanto seria maravilhoso um filho em minha vida. Mas eu me mantinha inflexível na minha negação.
Dia 14, a primeira consulta médica e o veredito, agora oficial: grávida, grávidésima. Chorei por horas, dirigindo pela cidade e uivando ao volante. Sim, eu parecia uma doida chorando e lastimando. Feio, mas assumo que foi mesmo dessa forma. Foi a vez do Flávio se fortificar e me passar o apoio do qual eu tanto precisava. Era preciso afastar de mim todos aqueles pensamentos nefastos.
Dia 15, como num passe de mágica, acordo renovada e já aceitando a nova condição de mãe. Não era nada 100%, mas bem melhor do que antes e já fazia alguns planos tímidos. No mercado, já comecei a incluir no carrinho artigos para bebê.
Junho/2010 - Dia 07, o primeiro ultrassom, com TN, revela um amor que eu não sabia a dimensão: o amor de mãe.
A primeira imagem na tela me acelerou o coração e me fez sentir um orgulho imenso, em carregar aquele serzinho com menos de 6 cm e 12 gramas.
Eu estava com 12 semanas.
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| Muito cedo para saber o sexo, eu o chamaria de Buzuzú |
| Já com um certo orgulho do "barrigão" de 12 semanas |
Dia 11, começa a bateria de exames e a luta para vencer o medo de agulhas e de hospitais. Esse terror me acompanhava desde a infância. Depois dos 6 anos de idade, nunca mais ninguém se atreveu a enfiar uma agulha em mim. Mas era preciso, pela saúde do bebê. Eu quase tive uma recaída por causa do medo, mas recebi muito apoio do Flávio e enfrentei. Talvez pelo stress ou mal preparo da enfermeira, mas o braço ficou com um hematoma muito feio:
| A cor e a dor ficaram por dias como troféu pela coragem de enfrentar o maior medo que tinha na vida: agulhas |
Dia 30, o ultrassom de 15 semanas e 6 dias iria revelar finalmente quem era Buzuzú. Começa então a saga da escolha de um nome para ELE. Sim, todo mundo afirmava que eu aparentava carregar um menino, mas eu achava que não, que seria uma menina! Ledo engano, dessa vez, só dessa vez, a sabedoria popular acertou em cheio.
Julho/2010 - O nome do Buzuzú é definido: em meio a Enzo, Gabriel, João Pedro e Guilherme, Miguel foi o nome escolhido, mesmo sob alguns protestos. Miguel: "IGUAL A DEUS".
Dia 10, Miguel mexe na barriga e mamãe pela primeira vez pode sentir.
Metade do mês, de férias, posso começar a preparar o ninho que irá receber o filhote. Completamente apaixonada pelo rebento, procuro tudo do bom e do melhor que eu puder comprar.
Dia 27, novo ultrassom para confirmar o sexo. O anterior havia sido realizado no posto de saúde, e eu fiquei com medo de não estar correto.
Vejo então uma caveirinha linda, a face do Mimi!
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| A confirmação do sexo. |
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| Uma caveirinha me olhando! |
Agosto/2010 - Caio novamente, e dessa vez, começa com uma gripe e termina com depressão. Dia 23, segunda-feira, ao fazer o pré-natal de rotina, o médico constata um pico de pressão arterial, 16 x 10. Temendo problemas na gestação, solicita a minha internação e exames para constatar ou descartar uma pré-eclâmpsia. Eu estava com 23 semanas. Entro para o grupo de alto risco, sou afastada do trabalho.
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| Aqueles longos dias (seg, ter, qua) no hospital me deixaram mais pra baixo ainda |
Afastada a hipótese de pré-eclâmpsia, tenho alta dois dias depois e passo a controlar a PA diariamente, além de tomar remédio e fazer repouso e dieta restritiva.
Setembro/2010 - Com vinte e tantas semanas de gestação, o mês rola sem grandes novidades, exceto duas: no dia 7, percebi que já produzia colostro. E também em setembro o Miguel pela primeira ve embolou na barriga, ficando o volume de um só lado.
Outubro/2010 - Mês do meu aniversário, mas os presentes eram todos do Miguel. Entrei na casa das 30 semanas, levei um tombo, mais um US, o quartinho finalmente fica pronto. Surgem sintomas como azia e dor nos países baixos. Estrias começas a arrebentar a pele da barriga. Meu aumento de peso desenfreado me leva a uma dieta radical. Mais exames de sangue e eu já encaro numa boa. Numa noite de domingo, dores na barriga me fazem pensar que estava em trabalho de parto - era uma diarréia absurda e doída feito o cão.
Começa a bater o clima de despedida do barrigão.
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| Out - Pela primeira vez, conheço um esboço do rosto do meu filho! |
Novembro/2010 - As cobranças ficam cada vez mais insuportáveis. Todo mundo quer que o Miguel nasça a qualquer custo, como se eu fosse obrigada a parir só porque alcancei as 37 semanas de gestação. Alguns teimavam em dizer que estava passando da hora de nascer (grrrrrrrr).
A barriga muito grande desperta uma nova desconfiança, que foi confirmada com um teste de curva glicêmica: o diabetes gestacional. A dieta se torna mais restritiva e eu perco peso a cada semana.
Detalhes finais para a chegada do Miguel são concluídos: entre eles a compra do bebê conforto e colocação de um adesivo no carro, advertindo a presença do meninão.
Ultrassom mostra rosto de Miguel e deixa mamãe e papai mais ansiosos.
Ultrassom mostra rosto de Miguel e deixa mamãe e papai mais ansiosos.
Mesmo com todos os problemas que tive durante boa parte da gravidez e no pós-parto, o medo e as dificuldades das noites sem dormir agora que ele nasceu, a felicidade é extrema e toda vez que me lembro da atitude negativa que tive ao saber da minha gravidez, sinto um remorso imenso e vergonha da falta de coragem pra lutar e ir até o fim. Mas eu venci tudo isso. Levei a gestação até o final. Lutei, encarei os problemas com força, determinação e certeza de que seria muito diferente essa vez.
Contrariando urubulinos de plantão que diziam que Miguel nasceria prematuro, que eu não daria conta, aqui estamos!
Contrariando urubulinos de plantão que diziam que Miguel nasceria prematuro, que eu não daria conta, aqui estamos!
Na data desta publicação, Miguel está com 17 dias de vida, e a cada dia fica mais malandrinho, mais lindo e mais querido. Nesse momento passa por um pico de crescimento e mama o dia todo sem parar. O umbigo (outro motivo de desconfiança alheia quanto a minha capacidade) já caiu. Minha anemia ainda persiste, as dores continuam, embora mais espaçadas e menos intensas.
Mas agora tenho uma família de verdade, posso dizer que sim, sou uma mulher completa e muito feliz!
Desejo de coração que 2011 me traga muitas boas novas, para que eu possa ter prazer em entrar em outros novos anos e esperar deles tudo aquilo que eu nunca esperei antes.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Era uma vez...um umbigo!
Ah, prometo que hoje eu posto algo bem curtinho!
Ontem, fui trocar a fralda antes de sair e surpresa: o umbiguinho do Miguel saiu junto com a fraldinha!
Caiu! Eba!!!
Depois de 14 dias de vida, Mimi finalmente se tornou um hominho independente! Já não carrega mais o umbiguinho que o ligou à mamãe! Que orgulho do meu grandão! Hehehehehehe! Fiquei toda toda!
Papai também ficou maravilhado com o cotoco preto do qual Miguel se libertou! E com direito à fotos e tudo o mais!
E para concluir, Miguel com papai e mamãe, vestido para comemorar o Natal na casa da vó Lourdes...
Feliz Natal!
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