Hoje Miguel completa uma semana de vida. Passou voando, pra ser honesta. Gostaria de ter aproveitado mais todo esse tempo, mas não foi bem assim.
Miguel está super bem, tem muita paciência em aturar esses pais de primeira viagem. Estamos bem atrapalhados, mas tudo está dando certo.
O problema sou eu. Não estou nada bem. Passei parte da manhã e a tarde de quarta-feira no centro cirúrgico da Santa Casa onde dei à luz Miguel.
Já no dia seguinte ao parto, comecei a sentir fortes dores de cabeça. No domingo, foi exatamente igual. E nenhum remédio me aliviava do martírio. É uma dor que te deixa meio pirado, eu
tinha vontade de rachar meu coco com um machado. Meu pescoço enrijecia nas crises, sem falar claro, nas dores da cirurgia e nos vários furos da anestesia (anestesista fdp).
Na segunda, comecei a me sentir fraca. Tremia muito. E a dor, claro, ali sempre presente. Eu levantava a cabeça do travesseiro e chorava.
Para piorar a situação, Miguel trocou a noite pelo dia. Passou a noite INTEIRA acordado, querendo colo e tetão. Nada de dormir... e eu com a dor, chorando. Meus seios racharam os dois. Tá saindo pedacinhos de pele morta, um horror. Na terça-feira, passei muito mal também e tudo se repetiu durante a noite. Na quarta, eu sozinha em casa (meu marido não está comigo), as dores continuavam e eu comecei a sentir náuseas, calafrios e tremores. Liguei para o Flávio me socorrer. Olha, pra eu pedir socorro, preciso mesmo estar com um pé na cova. Eu realmente estava péssima.
Esperei ele chegar, tomei um banho e rumamos para a Santa Casa.
Fui encaminhada para o Centro Cirúrgico, para passar pela avaliação de um anestesista.
Fui colocada em uma saleta cheia de biombos, e neles, pessoas tomando soro, gemendo, roncando, colocadas em respiradores e monitores. Eu estava ali sozinha, morrendo de medo, enquanto o Flávio segurava a onda do lado de fora, com o Miguelzinho no colo.
Não sei ao certo quanto tempo fiquei ali. Só sei que chamei uma enfermeira e reclamei, dizendo que meu bebê de dias estava ali me esperando sem mamar. Então, minha maca foi levada a outro local, mais calmo, pela pintura das paredes, me pareceu uma ala pediátrica do CC . Me puseram soro com medicamentos. Na verdade, tomei vários litros, com reguladores de pressão arterial (a minha estava bem alta - 14 x 10), antitérmicos, antiinflamatórios, dramin, dipirona, algo para o estômago, e uma pá de nomes que nem consigo me lembrar.
Devido à minha coloração nada "simpática", resolveram colher meu sangue para um exame rápido.
Diagnosticaram anemia. Estou com o nível de eritrócitos abaixo da metade considerada normal. O clínico sugeriu que eu iniciasse uma alimentação de combate, rica em ferro. Me pediu que marcasse consulta com a minha GO para que ela me receitasse medicamentos apropriados (ele não o fez por motivos éticos) e pediu urgência, para não agravar o quadro, já que perdi sangue no parto, no pós e também perco nutrientes amamentando.
Quanto à dor de cabeça medonha, o quadro é de CEFALÉIA PÓS-RÁQUI.
E o que é isso?
A cefaléia pós raqui, ou pós raquianestesia é uma cefaléia por hipotensão liquórica, ou seja, por baixa da pressão interna do cranio, a pressão intracraniana.
A dor de cabeça após uma anestesia raqui tem características bem definidas. A cefaleia pós raqui tem uma diferença crucial com outros tipos de dor de cabeça, a pessoa ao se deitar melhora significativamente da dor, e ao se levantar, ficando sentada ou de pé passa a ter dor novamente.
Quando é feita a raquianestesia, uma agulha é inserida no espaço interno a meninge, e este pequeno pertuito, ou furo, faz com que o sistema nervoso que é fechado e mantém uma pressão equilibrada entre os seus diversos pontos, independente da posição do indivíduo, sentada ou deitada, passe então a ter um diferença importante da pressão intracraniana na cabeça comparada com a lombar, onde é feita a punção. Daí acontece o vazamento do líquor, causando as dores.
O tratamento da cefaleia pós raqui consiste no repouso em posição deitada, hidratação vigorosa, uso de remédios antiinflamatórios, corticóides, cafeína e por último, caso o tratamento clínico não de certo utiliza-se o blood patch.
Blood patch é um procedimento que visa cicatrizar este furo que ocorreu após a raquianestesia, pois infiltra-se o sangue do próprio paciente no espaço epidural.
Não estou conseguindo fazer o repouso de maneira correta, pois sozinha, preciso cuidar do Miguel e de mim. Ainda corro o risco de precisar passar pelo processo de Blood Patch. Deus me livre disso!!!! Vão ter que encontrar entre todos os furos que levei na coluna, o furo por onde a anestesia foi injetada. É muito sofrimento!
Mas falando de algo bom...
Ontem, levamos nosso filhote para fazer o teste do pezinho e tomar a primeira dose da BCG. Gente, ele não chorou! No pezinho, reclamou mas logo caiu no sono! E na hora da vacina, a enfermeira dizia: segura com força, essa vacina precisa ser perfeita e lalala... O Miguel até fez um barulhinho, um míni-protesto, mas logo se acalmou. Não deu trabalho, nem ficou manhoso. É um amor esse menino! Daí à noite, o Miguel foi dormir tarde, depois do seriado "O que querem as mulheres" da Rede Globo. Chuto aí por volta de meia noite e lá vai cacetada. Mas pelo menos dormiu o resto da noite e deixou a gente descansar um pouco.
Hoje acordou com muita fome, mamou as duas peitchas da mãe, ficou mais de uma hora só chupando, chupando...
Está agora dormindo no meu colo, fiz uma rede com meu vestido e ele está bem aconchegado. Adooooooro!!!!!
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| Ontem à noite, ligadão! |
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| Uma semaninha de vida... Olhão aberto e beicinho de "bizolo". |
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| Fazendo cara de bad! |